Château des Poupets

Da propriedade

A prensagem da colheita

Quando o depósito deu o que queremos, a fruta deve deixar as películas. A prensagem é a dobradiça entre o ruído da vindima e o longo silêncio do élevage.

Publicado 14 de julho de 2027

Primeiro o vinho de lágrima

Antes de a prensa girar, uma boa parte do mosto já escorre do depósito — o vin de goutte, ou vinho de lágrima. É muitas vezes a parte mais clara, a mais aromática. Provamo-lo à parte. Já cheira à colheita, ainda um pouco doce ou ainda a terminar a fermentação, e diz se a maceração durou o suficiente.

A prensa não é um castigo

O bagaço restante — películas, polpa e engaço — vai à prensa. Uma prensa pneumática pode apertar com suavidade, por ciclos, em vez de esmagar grainhas e madeira até ao amargor. As prensas verticais antigas têm a sua poesia; as modernas têm o controlo. Em ambos os casos o fim é o mosto, não uma guerra contra o bolo. As películas finas da Gamay não precisam de violência para dar cor.

O vinho de prensa tem um ofício

As fracções mais tardias, o vin de presse, são mais ricas em tanino e por vezes em rusticidade. Guardamo-las primeiro à parte. Algumas juntar-se-ão à lágrima para dar mais coluna a um Cru; outras ficarão fora de uma cuvée mais fina. Assemblar o prensa é um tempero, não um hábito. Um Juliénas de guarda pode tomar uma parte medida; um vinho de sede quer muitas vezes menos.

Assentar antes do trabalho de inverno

Após a prensagem, o vinho novo está turvo de borras. Assenta, termina os açúcares se preciso e espera a maloláctica. O pátio acalma; o cheiro passa da fruta esmagada ao vinho jovem. É então que os visitantes às vezes julgam a vindima acabada. Para a cave, a colheita só mudou de quarto.

Prensa como se o vinho ainda pudesse magoar-se. Os melhores Juliénas guardam o perfume do depósito e só tanta estrutura quanta a prensa ofereceu com cortesia.